Arquiteta Andressa Martinez

arquitetura, design e criação

Sobre arquitetura ecológica e sustentabilidade… outubro 15, 2009

Filed under: Uncategorized — andressamartinez @ 10:32 pm
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 header-logoBlog Action Day 2009

 

 Recebi esse e-mail da Thamires, da Webcitizen, divulgando o Blog Action Day. Como o tema desse ano é Mudanças Climáticas, aproveito a oportunidade para abordar uma questão fundamental em todas as áreas e principalmente na arquitetura e urbanismo. Em itálico está o texto de divulgação da Thamires e abaixo eu completo algumas observações pessoais sobre a questão da sustentabilidade ambiental. Por coincidência, participei hoje de uma aula no curso de Doutorado e minha colega Gisele Barbosa, também arquiteta, apresentou um trabalho extremamente relevante sobre esse tema:

Hoje (15/10), acontece o terceiro Blog Action Day, um evento que convida todos os blogueiros a postarem sobre um mesmo assunto, na mesma data, a fim de colocar o tema em debate na Internet. Neste ano, o tema selecionado foi Mudanças Climáticas. Entre nossas motivações em trabalhar com a mídia social é justamente esta possibilidade de mobilização, articulação e participação da sociedade civil, tanto na solução de problemas, quanto na disseminação de ações positivas e construção do conhecimento coletivo. Por isso, preparamos uma série de posts sobre políticas públicas do Governo de Minas Gerais, relacionadas ao tema. Elas foram divididas conforme as diretrizes da organização do evento: Negócios, Energia, Tecnologia, Saúde, Estilo de Vida, Responsabilidade Social, Arquitetura, Engenharia e Design.”

Envio uma sugestão relacionada a design, arquitetura e engenharia sustentáveis, a partir do projeto coletivo que inaugurou em Belo Horizonte o Reciclo Espaço, um projeto 100% realizado com materiais reciclados – desde os materiais até a decoração. Caso o projeto seja aprovado e a eficácia dos materiais para a construção das casas comprovada, o Governo mineiro deverá incentivar a construção de moradias populares utilizando os mesmos produtos reciclados que estão na constituição da casa exposta no Festival. A ideia é de que ao trabalho sejam incorporadas cooperativas de catadores de lixo, promovendo um tripe entre a economia sustentável, preservação do meio ambiente e inclusão social em proporções inéditas no país.

Como não conhecia o trabalho, excursionei por alguns sites na internet e videos no youtube e realmente a iniciativa é louvável e inovadora: Folhas de aço dobradas e caixas de leite são alguns dos materiais que compõem a estrutura da parede. O mesmo processo acontece com o telhado, feito com tubos de pastas de dente prensados. Um dos arquitetos responsáveis pela obra, Eduardo Maia Memória, afirma que entre seus objetivos, esta criar um produto sustentável, com baixo custo e qualidade alta, que possa proporcionar a construção de mais moradias populares.

Iniciativa semelhante, porém em escala internacional, é o Solar Decatlhon, que na próxima edição contará com a participação de uma equipe brasileira, formada por um consórcio que integra seis universidades nacionais. Soube do projeto através do meu ex-orientador José Ripper Kós, que está atuando ativamente e é reponsável pela equipe da Universidade Federal da Santa Catarina. A proposta da edição de 2010 é a construção de um protótipo de unidade residencial auto-suficiente que incorpore recursos para a eficiência energética e aproveitamento adequado dos materiais de construção. De acordo com a matéria do Jornal O Dia, o protótipo da casa será provavelmente montado na Poli/USP e, segundo a professora Gabriella Rossi, responsável pela participação da Poli/UFRJ, ele prevê a introdução de tecnologias que permitam a eficiência energética e o bom funcionamento da casa. Todo o projeto da casa, desde a forma arquitetônica, passando pela estrutura e equipamentos internos, será estudado para contribuir para construção de uma casa auto-suficiente energeticamente.

Já em terras cariocas, destaco a pesquisa do IVIG|COPPE-UFRJ, o Instituto Virtual Internacional de Mudanças Globais, que desenvolve estudos na área de eficiência energética, aproveitamento de materiais e recursos renováveis, através de uma rede virtual, interdisciplinar, que articula diversos centros de pesquisa. Destre os produtos do IVIG, destaco a construção do CETS – Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis, construído na Ilha do Fundão e composto por um protótipo industrial para produção de biodiesel, um edifício-sede de 2 pavtos e um protótipo de habitação social, cujo projeto foi elaborado por mim e Carolina Rezende. Todos os edifícios foram construídos com materiais alternativos como tijolo de solo cimento, esquadrias de bambu, telha de fibra-de-côco, além da preocupação de questões de conforto ambiental, aproveitamento de águas pluviais e eficiência energética. Já falei sobre esse projeto aqui no blog, mas quem tiver mais interesse, selecionei alguns posts anteriores sobre o assunto, inclusive reportagens publicadas e organizadas na minha página ‘na mídia’.

Para finalizar o post de hoje, indico como sugestão de pesquisa, a construção de duas novas cidades completamente sustentáveis: Masdar (Emirados Árabes) e Dongtan (China). Esses projetos ainda são recentes e não foram executados, mas já é possível encontrar referências sobre esses modelos na internet.  Certamente, esses dois exemplos ainda ‘darão muito o que falar’… Mas, deixarei para um futuro post.

Abraços e participem do Blog Action Day!

Andressa

 

Apresentação de trabalho no 46th IFLA outubro 5, 2009

Entre os dias 21 e 23 de outbro de 2009, apresentarei o trabalho Parque Urbano da Lagoa da Tijuca, no 46th Congresso Internacional da Federação de Arquitetos Paisagistas. Esse projeto foi desenvolvido em 2006 no âmbito do Mestrado no PROURB| FAU- UFRJ, pela equipe composta por mim, arquiteto Frederico Braida e dois estudantes da École Nationale Supérieure d’Architecture de Paris-Belleville (Aurélia Errath e Antoine Demarest), sob supervisão dos professores doutores José Kós e Raquel Tardin.

Trata-se de um plano integrado de estruturação da Lagoa da Tijuca e a criação de um parque, na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro), que trabalha em três niveis de atuação: o sistema hídrico (corredores hídricos), o sistema de espaços verdes (corredores verdes) e edificações do entorno (edifícios-elo). Essas estratégias foram implantadas em estacionamentos de shoppings, condomínios horizontais, condomínio verticais, áreas não consolidadas e favela Rio das Pedras.

Localizado próximo às instalações do futuro Parque Olímpico de 2016, esse projeto de intervenção propõe diretrizes de ocupação e construção para condomínios residenciais, áreas comerciais e outras atividades, ao longo das margens da Lagoa. Certamente, grande parte das questões levantadas durante a análise e elaboração dessas estratégias projetuais englobam a área da vila panamericana e também são válidas para os próximos empreendimentos na região.

Aproveitando a vitória do Rio de Janeiro como sede para as Olimpíadas de 2016, destaco a importância de um projeto de instalações esportivas integrado à paisagem, com o objetivo de conectar visual e físicamente o bairro e as lagoas da região.

Para mais informações sobre o Congresso Internacional 46th IFLA, visite a web do evento.

 

lagoa-tijuca1Fig. 01 | Plano geral de intervenção: corredores verdes, canais hídricos e edifícios elos

lagoa-tijuca2Fig. 02| Estratégias de intervenção para condomínios horizontais

lagoa-tijuca3Fig. 03| Estratégias de intervenção para condomínios verticais

lagoa-tijuca4Fig. 04| Estratégias de intervenção para a margem da Favela Rio das Pedras

 

 

Intervenções urbanas – Cama de gato urbana maio 2, 2009

Filed under: Uncategorized — andressamartinez @ 5:23 pm
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CONCURSO INTERVENÇÕES URBANAS

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Urban Cat’s cradle game foi a minha proposta enviada para o concurso internacional de intervenções urbanas, Milano Public Design Competition 2009, que está acontecendo em Milão, paralelo ao famoso Salão Internacional do Móvel de Milão. O desafio da competição era propor um objeto urbano nas dimensões de uma vaga de estacionamento (5x2m), que permite a interação, jogo e participação dos pedestres e o público em geral. Felizmente, o meu trabalho foi classificado e selecionado entre os melhores (15-20), dentre mais de 800 propostas provenientes dos cinco continentes!

Para quem não conhece, trata-se de uma cama de gato em escala urbana, onde o desafio é atravessar a trama de fios, sem tocá-la e “acionar” os sinos pendurados. Esse projeto reflete parte do trabalho conceitual desenvolvido em minha dissertação de mestrado.

 

Dissertação de Mestrado disponível online abril 20, 2009

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Está disponível para visualização e download do texto integral de minha dissertação de mestrado, intitulada Pequenas Intervenções em espaços livres públicos: itinerância, flexibilidade e interatividade, defendida em 2008, no PROURB/FAU-UFRJ.

Para quem se interessa por intervenções artísticas e efêmeras em espaços públicos, essa dissertação traz um panorama geral da produção contemporânea de arquiteturas itinerantes; mobiliários urbanos multi-usos e recursos tecnológicos em escala urbana. A investigação teórica centra-se em projetos multiprogramáticos, abertos à flexibilidade de usos; dinâmicos e adaptáveis; frente ao ritmo acelerado das grandes cidades.

O texto completo está disponível na base minerva da UFRJ (clique aqui) ou no site do Governo Federal Domínio Público (acesse aqui), um completo banco de teses e dissertações, aberto a consultas.

 

Objetos em movimento: interatividade no espaço público janeiro 21, 2009

Idéias criativas e surpreendentes definitivamente decretam o fim das antigas receitas urbanas para o projeto de praças…

 

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                     add-on, em Viena                       adaptative lounge, Berlim  volume at V&A, Londres

                                                                            

Essas imagens ilustram parte da minha Dissertação de Mestrado |2008| Pequenas Intervenções em Espaços Livres Públicos: itinerância, flexibilidade e interatividade, na qual defendo a necessidade de pequenas intervenções urbanas (mobiliário urbano móvel, arquitetura itinerante ou novas tecnologias) como pontos de atração para os usuários em espaços públicos.

Não é necessário ir a outras cidades para constatar que muitas praças, objeto de recentes intervenções, renovadas em seu mobiliário, com iluminação e pavimentação adequadas, muitas vezes permanecem esquecidas pelo público.

Espaços destinados ao público infantil estão abandonados, outros, projetados para a prática de exercícios físicos, vazios, enquanto a uma pequena distância, a pouco mais de vinte ou cinquenta metros, um local que não foi pensado estritamente para aquele fim abriga dezenas de atividades. Alguns anfiteatros e suas pesadas estruturas de concreto estão esquecidos e, simplesmente, tornaram-se barreiras a apropriação do espaço. A simples reorganização e padronização do mobiliário ou a definição de ‘programas’ rígidos, estritamente definidos, inflexíveis, que condicionam um modo de ocupação do espaço, está sujeita à falha.

Se o espaço público é a expressão mais evidente dos anseios da sociedade, se ele é a tradução direta de novas dinâmicas, por que alguns exemplos já falharam? Por que intervenções relativamente recentes já não respondem à demanda e ao ritmo dos atuais espaços urbanos? Como o espaço público pode instigar e atrair usuários diante das diversas opções de lazer oferecidas atualmente?

A observação de dezenas de projetos urbanos nacionais e internacionais indicam uma nova preocupação para o projeto de praças: multifuncionalidade e flexibilidade de uso.

 

Abaixo estão minhas propostas rápidas de intervenções na George Square, uma praça na cidade de Glasgow, Escócia.

 

Proposta 01 – Arquitetura Itinerante: módulos-bar

 

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02 – Mobiliário mutante: bancos móveis

 

blog_george-square

03 – Luz de humor: focos interativos

 

 

blog_george-square3

 

Assim que o conteúdo integral da minha dissertação estiver disponível em pdf pela biblioteca da FAU|UFRJ, postarei o link para a visualização dos mais de cem projetos inusitados de espaços públicos que pesquisei.

 

 

Santa Catarina: onde estão os arquitetos e urbanistas? novembro 27, 2008

Filed under: Uncategorized — andressamartinez @ 9:06 pm
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O caso de Santa Catarina relembra a importância dos arquitetos e urbanistas

 

Há algum tempo estava pensando em postar algo sobre a relevância e/ou ausência dos arquitetos e urbanistas no planejamento das cidades brasileiras… Infelizmente, a tragédia das enchentes em Santa Catarina tornou-se um momento oportuno:

É inegável a imprevisibilidade dos fenômenos naturais e o seu poder de destruição, apesar dos avanços tecnológicos e do conhecimento humano. Em episódios como esse, a natureza demonstra toda a sua potência diante da insignificância de nossas cidades; deixa um rastro de perdas e impotência…

E agora, o que fazer? Em meio à perplexidade das perdas humanas, os primeiros esforços se concentram (e realmente devem se concentrar) na comunidade: remoção da população das áreas de risco, criação de alojamentos, entrega de suprimentos, controle de doenças e epidemias, auxílio material e psicológico na tentativa de amenizar, ao menos parcialmente, os estragos causados pelo imprevisto…

Em um segundo momento, começa a reconstrução racional das cidades afetadas. E é justamente nesse ponto (em alguns casos apenas nesse ponto), que os planejadores urbanos entram em cena no reforço de reorganização das cidades. Antes desses casos excepcionais, ocupações irregulares incham as zonas urbanas; áreas de alagadiços são utilizadas para urbanização; encostas e morros são desmatados; reservas ecológicas são desconsideradas. Rios são poluídos pela ausência de redes urbanas adequadas, canais são assoreados e cobertos para aumentar o solo das cidades, espécies vegetais que regulam o micro clima são degradadas e áreas de declive são desordenadamente ocupadas (não apenas por assentamentos irregulares motivados pelo déficit habitacional ou ausência de moradia)…

E nós, profissionais (arquitetos, urbanistas, engenheiros, paisagistas, geógrafos…), ainda estamos lá, estudando planos urbanísticos, zoneamento das cidades, definindo afastamentos e altura dos edifícios, a taxa de ocupação do solo, formatando os limites entre as áreas edificáveis e as zonas de risco… Desenhamos do plano macro ao detalhe de uma calçada ou mobília urbana. Mas ao final, tem-se um planejamento elástico, esgarçado por diversos interesses que descaracterizam ou materializam parcialmente os planos iniciais… São cortes de orçamento, falta de interesse… adição de muitos interesses… 

E, mais uma vez, os profissionais urbanos não são ouvidos e, na falta de importância que a profissão “conquistou” no cotidiano, permanecem sem voz…

No caso de Santa Catarina, o problema não é tão simples ou racional, mas é possível confrontá-lo parcialmente com os benefícios que o arquiteto e urbanista tem a oferecer ao desenvolvimento estruturado das cidades. Eis aí uma oportunidade de reflexão…

 

 
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