Arquitetura entre a arte e a técnica

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Dando continuidade ao artigo que escrevi no Portal do Arquiteto, Arte e Técnica: a polivalência do arquiteto (acesse o site!), em entrevista à Revista Projeto Design (12/2008), Agnaldo Farias, arquiteto, professor, curador e crítico de arte, também aborda a relação complementar entre a arte e a arquitetura e destaca a desvalorização desse importante diálogo no projeto arquitetônico:

 

” De fato, a arquitetura tem mantido uma relação muito fértil com a arte, mas ainda hoje existe gente muito boa que acha que não há relação alguma. Richard Serra, por exemplo, diz que arquitetura não é arte e que os arquitetos ficariam muito bem restritos a ela – uma colocação relacionada ao fato de a arquitetura ter função e a arte não. Concordo em termos, mas não acho que isso signifique inexistirem pontos de contato do mais alto interesse. Incomodame nas escolas de arquitetura que os subsídios no campo da história da arte sejam periféricos de modo geral, e isso quando acontecem. Geralmente, as aulas se restringem a um semestre, que cobre desde a parede das cavernas até os nossos dias. Isso e nada dá no mesmo. Nos setores das disciplinas de plástica também, com muita freqüência, a discussão quase se resume ao ideário pedagógico de projeto extraído da Bauhaus, a questões ligadas a composição, módulo, alguma experiência sobre material. Não que não sejam questões importantes, mas há muita coisa para se discutir além disso. A arquitetura, pela própria definição etimológica, tem que pensar que faz parte da cultura visual, ela deve se alimentar disso. E cultura visual vai além da arte, que é um subgrupo daquela. A arquitetura ganharia muito, aqui no Brasil, se tivesse essa interlocução de maneira mais sistemática. Os arquitetos têm, sim, muita sensibilidade, mas deveriam confiar um pouco menos no talento pessoal, na intuição, e trabalhar um pouco mais essa questão de maneira sistemática. É assustador o modo como as escolas de arquitetura ignoram não só as artes plásticas, mas a literatura, a música, o cinema. De modo geral, nossas escolas, em qualquer canto, tenderam ao tecnicismo.”

 

Para ler a entrevista na íntegra, a revista disponibiliza o conteúdo online.  Boa leitura!

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