Diploma para exercício da profissão

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Alguns jornais indicam que a queda da obrigatoriedade de diplomas pode se estender a outras profissões, a longo prazo.

Na Semana Passada o STF derrubou a obrigatoriedade do Diploma de Jornalismo para o exercício da profissão. A decisão é polêmica, divide opiniões e traz a tona uma discussão mais ampla sobre técnica, talento, conhecimento acadêmico e vocação. Fiquei pensando sobre o mesmo caso em Arquitetura….

Historicamente a arquitetura é uma profissão de conhecimento empírico, que nasceu em canteiros de obras, produzida por mestres que aprenderam o ofício através da transmissão secular de determinadas técnicas de construção. A origem da palavra provém do grego, arkhitektôn  (arqui = principal / tectônica = construção), cuja etimologia sintetiza o universo de formação do arquiteto: a obra em si. Na época, o desenho técnico, meio de disseminação e registro da criação arquitetônica, não era nem condição necessária para a execução ou criação de um edifício, muito menos um diploma acadêmico…

Historicamente há dezenas de grandes nomes que de destacaram nas mais diversas áreas do conhecimento sem a formação tradicional necessária: Leonardo Da Vinci, por exemplo, estudou a anatomia humana, porém não era médico ou profissional da área de saúde; pensou em um ‘máquina de voar’, embora não fosse engenheiro mecânico; o pintor-escritor se fez músico, engenheiro, arquiteto, anatomista, astrônomo, matemático, diretor de teatro, escritor, geólogo…  

No campo da arquitetura, o francês Le Corbusier tornou-se um dos mais famosos expoentes do movimento moderno, embora não possuísse especialização na área; o famoso arquiteto japonês Tadao Ando é professor emérito na Universidade de Tóquio, mas não possui nenhuma qualificação formal; o alemão Mies Van der Rohe, que recebeu diversas premiações em arquitetura, começou como desenhista e não possui nenhuma formação acadêmica na área.

Todos os exemplos acima indicam que o diploma universitário não é uma condição indispensável para a emergência de excelentes profissionais, nem para o exercício da profissão. No entanto, levanto a hipótese de que a formação universitária, em meio há uma população mundial crescente, torna-se um mecanismo necessário de regulação e controle social. A sociedade e as cidades sofreram um processo de complexibilização crescente, cujas soluções requerem pensamentos e atitudes integradas, que distanciam-se do simples bom-senso, juizo pessoal de valores, curiosidade ou observação da realidade (não falo apenas sobre a área de projeto e construção).

A universidade é uma encubadora não apenas de novos profissionais, mas de filosofia e pensamento ético sobre a profissão. E ética profissional torna-se cada vez mais necessária para a coesão social em meio há uma população de 6 bilhões de pessoas… Quando se fala na ausência de diploma (e as manchetes dos jornais indicam que outras profissões podem ser ‘contempladas’ a longo prazo), não se pode pensar na minoria talentosa, cuja vocação não foi construída em um banco universitário; deve-se pensar na grande maioria de profissionais que sem a formação universitária não poderiam exercer essas atividades com verdadeira qualidade.

Um comentário sobre “Diploma para exercício da profissão

  1. Boa tarde! Estava visitando seu site, super interessante!
    Não sei se você pode me tirar uma dúvida: um sofá com duas cadeiras de apoio terão que ser forrados obrigatoriamente com o mesmo tipo de tecido? Grata!

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